Da pergunta de pesquisa à planilha pronta em 30 minutos
Este texto é um cronômetro. A pergunta de pesquisa já existe, a triagem já foi feita e você tem uma lista de artigos para extrair. Do momento em que você cria o projeto até a planilha exportada, o caminho é este — com os tempos reais que a plataforma registra.
Minuto 0 a 5 — criar o projeto e descrever a revisão
Um projeto no ferdy é o recipiente de uma revisão: nome, descrição curta e, depois, as colunas e os artigos. A descrição não é enfeite — é o contexto que a IA recebe junto com cada artigo. “Revisão sistemática sobre jogos digitais no ensino de ciências no ensino fundamental, foco em desfechos de aprendizagem” faz a extração acertar mais do que “TCC jogos”.
Minuto 5 a 15 — definir as colunas
Esta é a etapa que merece os dez minutos. Cada coluna leva uma instrução própria, com formato e vocabulário — “Apenas o numeral”, “classifique em: ensaio randomizado, quase-experimental, coorte…”. Nos projetos reais que rodam aqui, a média é de sete colunas por projeto, e o limite é catorze.
Ao aprovar, o ferdy monta o roteiro que será aplicado igual a todos os artigos. É o mesmo formulário de extração que você usaria no papel, só que aplicado sem variação entre o primeiro e o octogésimo artigo.
Minuto 15 a 20 — trazer os artigos
Três caminhos, que convivem no mesmo projeto:
- Colar a lista de identificadores — até 50 por vez: DOI, links doi.org, DOIs no meio de referências copiadas, PMID ou id do arXiv. O ferdy busca a ficha e tenta o PDF sozinho.
- Buscar nas bases — uma consulta em sete bases abertas ao mesmo tempo, com seleção do que interessa.
- Arrastar os PDFs que você já baixou — o caminho obrigatório para artigos de editora paga, que você obtém pelo acesso da sua instituição.
Na prática, quase todo mundo mistura: cola a lista, deixa o que der ser baixado automaticamente e envia à mão o punhado que ficou marcado como “PDF não obtido” (que, como toda falha, não é cobrado).
Minuto 20 a 30 — a fila anda sozinha
Aqui entram os números reais da plataforma. A mediana de tempo por artigo é de 17 segundos; nove em cada dez terminam em menos de 37 segundos. Um lote de 42 artigos — 999 páginas — foi de ponta a ponta em 22 minutos numa manhã de setembro, enquanto a pesquisadora fazia outra coisa.
O artigo médio processado aqui tem 17,8 páginas (mediana de 15). Como a cobrança é por página processada com sucesso, esse número é também o seu custo médio por artigo.
Depois dos 30 minutos: a parte que é sua
A planilha pronta não é o fim da revisão — é o começo da conferência. O detalhe de cada linha existe para isso: abrir, comparar com o texto, corrigir o que destoa. Uma varredura por coluna, procurando o que está fora do formato combinado, encontra a maior parte dos problemas em poucos minutos.
Exportando em Excel, CSV ou PDF, a tabela sai com os rótulos que você escolheu, pronta para o material suplementar. E o relato no método fica honesto: a ferramenta fez o primeiro passe, os revisores conferiram.
Quando não são 30 minutos
Três situações alongam o processo, e é justo dizê-las: PDFs escaneados sem camada de texto precisam de OCR antes (são recusados como ilegíveis, sem cobrança); artigos de editora paga sem versão aberta exigem download manual pelo acesso da universidade; e colunas mal definidas custam uma segunda rodada. As duas primeiras não dependem de nós. A terceira é a que este blog tenta evitar.