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Como escolher as colunas da sua tabela de extração

A tabela de extração é o coração de uma revisão sistemática — e também o lugar onde mais se perde tempo depois. Coluna mal definida significa voltar a oitenta PDFs para preencher o que faltou, ou pior: descobrir na hora da síntese que “amostra” quer dizer coisas diferentes em cada linha.

No ferdy você cria até 14 colunas, e cada uma carrega a própria instrução. Este texto é sobre como escrever essas instruções — vale tanto para quem vai usar a ferramenta quanto para quem extrai à mão e quer um formulário que funcione.

Uma coluna, um dado

O erro mais comum é a coluna que pergunta duas coisas. “Amostra e local do estudo” obriga quem lê (pessoa ou máquina) a inventar um formato de junção, e o resultado vira texto livre impossível de filtrar na planilha. Separe: uma coluna para o n, outra para o país.

O segundo erro é a coluna que pede interpretação sem dizer o critério. “Qualidade do estudo” não é um dado do artigo — é um julgamento seu, feito com um instrumento (RoB 2, Newcastle-Ottawa). Essas colunas continuam sendo preenchidas por você, depois, com o instrumento na mão.

Escreva a instrução como escreveria para um bolsista novo

Compare as duas versões da mesma coluna:

  • Fraca: “Amostra”.
  • Boa: “Número de participantes efetivamente analisados. Apenas o numeral. Se houver perdas de seguimento, registre o n final, não o recrutado. Se o estudo for qualitativo, registre o número de entrevistados.”

A instrução boa faz três coisas: define o conceito, define o formato e resolve de antemão o caso ambíguo. É trabalho de dez minutos que se paga em oitenta linhas consistentes.

Três regras práticas que funcionam bem:

  1. Diga o formato. “Apenas o numeral”, “país por extenso”, “sim/não/não informado”, “uma frase de até 20 palavras”. Coluna sem formato volta com quatro estilos diferentes.
  2. Dê o vocabulário fechado quando existir. Em vez de “desenho do estudo”, escreva: “Classifique em: ensaio randomizado, quase-experimental, coorte, transversal, qualitativo, revisão. Use exatamente um destes termos.” Isso transforma a coluna em algo que você consegue agrupar depois.
  3. Antecipe a lacuna. O que não estiver explícito no texto vira NA. É melhor assim: uma lacuna visível pode ser checada; um valor plausível inventado passa despercebido até o parecerista encontrar.

Um conjunto que costuma servir

Nos projetos reais que rodam no ferdy, a média é de sete colunas por projeto — bem abaixo do limite de catorze. Um esqueleto que funciona para a maior parte das revisões de intervenção:

  • País / contexto — “País onde os dados foram coletados, por extenso. Se multicêntrico, liste os países separados por vírgula.”
  • Ano dos dados — distinto do ano de publicação, que você já tem na referência.
  • Desenho — com vocabulário fechado, como acima.
  • Participantes — quem são, em uma frase.
  • n analisado — apenas o numeral.
  • Intervenção / exposição — “O que o grupo experimental recebeu, incluindo duração e frequência quando informadas.”
  • Comparador — “O que o grupo controle recebeu; ‘nenhum’ se não houver.”
  • Desfecho primário e instrumento — “Nome do desfecho e o instrumento usado para medi-lo.”
  • Resultado principal — “Direção e tamanho do efeito como relatado, com a estatística (p, d, OR, IC) quando houver.”
  • Limitações declaradas — as que os próprios autores citam.

Se a sua revisão é de escopo, troque as três últimas por “objetivo do estudo”, “método de coleta” e “principal achado” — a lógica é a mesma.

Teste com cinco artigos que você conhece

Antes de mandar os oitenta, rode cinco artigos que você já leu. Compare linha a linha com o que você mesmo extrairia. Três coisas aparecem nesse teste, e só nele: coluna ambígua (respostas em formatos diferentes), coluna impossível (o dado não está no texto — vira NA em todos) e coluna redundante (você já tem aquilo na referência).

No ferdy, ajustar a definição e reaprovar leva segundos, e as linhas já extraídas continuam onde estão. O que custa é descobrir o problema no artigo número setenta.

Depois da extração, a conferência

Uma tabela preenchida automaticamente é um rascunho consistente, não a versão final. A conferência fica muito mais rápida quando as colunas têm formato definido: dá para varrer a planilha procurando o que destoa — um “n” com texto no meio, um desenho fora do vocabulário, um NA onde você sabia que havia dado. Para revisão sistemática, mantenha a dupla checagem prevista no seu protocolo (e declare a automação no método); a máquina entrega o primeiro passe, a decisão continua sua.