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ferdy × Zotero: gerenciador de referências não extrai dados

Se você faz pesquisa e ainda não usa um gerenciador de referências, pare este texto e instale o Zotero. É gratuito, de código aberto, funciona em qualquer sistema e resolve um problema que ninguém deveria mais ter: perder referência, digitar citação à mão, descobrir na véspera da entrega que a bibliografia está em três formatos diferentes.

Dito isso: Zotero e ferdy não competem. Fazem etapas diferentes da mesma revisão, e funcionam bem em sequência. Somos parte interessada — o ferdy é nosso.

O que o Zotero faz (e faz muito bem)

  • Guardar referência com um clique direto do navegador, com o PDF junto quando disponível.
  • Citar em qualquer norma (ABNT, APA, Vancouver…) dentro do Word, do LibreOffice ou do Google Docs, e refazer a bibliografia inteira quando você troca de norma.
  • Organizar em coleções, marcadores e notas.
  • Grupos compartilhados, úteis quando a revisão é a quatro mãos.
  • Sincronizar entre computadores, de graça até certo limite de armazenamento.

O que ele não faz — e não deveria mesmo

O Zotero guarda metadados: autor, título, ano, periódico, DOI, e o arquivo. Ele não abre os oitenta PDFs para descobrir qual era a amostra de cada estudo, qual instrumento mediu o desfecho e o que deu o resultado principal. Essa leitura continua sendo sua — ou do ferdy.

É a diferença entre ter os artigos organizados e ter os dados dos artigos numa tabela. A primeira parte o Zotero resolve melhor que qualquer um. A segunda é o nosso trabalho.

Como usar os dois em sequência

  1. Colete no Zotero durante a busca e a triagem, como você já faz.
  2. Crie uma coleção só com os artigos incluídos na revisão.
  3. Selecione tudo e copie os DOIs. (Se preferir, exporte em CSV e copie a coluna — o importante é ter os identificadores.)
  4. No projeto do ferdy, cole a lista no campo de identificadores — até 50 por vez, e ele aceita DOI, links doi.org, PMID e id do arXiv, inclusive no meio de referências copiadas.
  5. Defina as colunas da sua tabela e deixe a fila rodar. O que não tiver PDF aberto aparece marcado, sem cobrança, para você enviar o arquivo que já está no Zotero.

O passo 5 é onde a biblioteca que você montou compensa: para artigo de editora paga, o PDF que você baixou pelo acesso da universidade já está ali, e arrastar é mais rápido do que caçar de novo.

Depois da extração, volta para o Zotero

A tabela sai do ferdy em Excel, CSV ou PDF e vira material suplementar. As citações do texto continuam saindo do Zotero, que é quem sabe formatar em ABNT. Nenhuma das duas ferramentas pede exclusividade, e nenhuma cobra por isso: o Zotero é gratuito e o ferdy cobra só pelas páginas processadas com sucesso.

Resumo

  • Organizar referências e citar → Zotero, sempre.
  • Transformar o conteúdo dos artigos em tabela → ferdy.
  • Os dois juntos cobrem do primeiro artigo salvo até a planilha do material suplementar.

Este texto faz parte do comparativo das ferramentas de revisão sistemática em 2026, que organiza todas elas por etapa da pesquisa.