ferdy × SciSpace: conversar com o PDF não é extrair oitenta deles
O SciSpace ficou conhecido por um recurso específico e muito bom: conversar com o PDF. Você abre um artigo difícil, pergunta o que não entendeu e ele explica, com referência ao trecho. Para leitura, é ótimo. Para montar a tabela de oitenta artigos, o problema é outro.
Somos parte interessada — o ferdy é nosso. Dados conferidos em setembro de 2026.
O que o SciSpace faz melhor
- Entender um artigo. O chat com PDF explica método, resultado e jargão, e é o melhor uso da ferramenta. Quando o artigo é de uma área vizinha à sua, isso vale muito.
- Busca ampla sobre um índice de centenas de milhões de trabalhos.
- Tabela de revisão com colunas personalizadas, com citação por linha.
- Escrita e paráfrase, para quem quer o pacote completo num lugar só.
A diferença que aparece no volume
Conversar com o PDF é uma interação por artigo. Extrair dados de uma revisão é a mesma pergunta feita oitenta vezes, do mesmo jeito — e é aí que as duas ferramentas divergem.
No ferdy você escreve a instrução uma vez, por coluna, e ela é aplicada igual ao primeiro e ao octogésimo artigo. A consistência não depende de você lembrar como perguntou da outra vez. Os números reais da plataforma: mediana de 17 segundos por artigo, e um lote de 42 artigos (999 páginas) processado em 22 minutos.
Some a isso o que já vimos em outros textos: 14 colunas em qualquer pacote (no SciSpace os limites variam por plano, e o gratuito não exporta), bases brasileiras — BDTD e Oasisbr —, cobrança por página processada em vez de assinatura, e o produto inteiro em português.
Quem faz o quê
- Entender um artigo específico, tirar dúvida de método → SciSpace
- Transformar 80 artigos em planilha consistente → ferdy
- Escrever e parafrasear → SciSpace (nós não escrevemos nada)
- Produção brasileira e pagamento em reais → ferdy
Usando os dois
Na prática: o SciSpace para os cinco ou seis artigos que você precisa entender a fundo — normalmente os que vão sustentar a discussão —, e o ferdy para a extração do conjunto inteiro. São gastos diferentes resolvendo problemas diferentes.
Resumo
- Precisa compreender artigos? SciSpace.
- Precisa tabular artigos? ferdy.
- Precisa dos dois? Use os dois — nenhum dos dois exige exclusividade.
Preço: dois modelos diferentes
O SciSpace trabalha com plano gratuito limitado e assinatura mensal por usuário — na faixa de US$ 12 a 20, conforme o nível, em setembro de 2026. O gratuito serve para experimentar, mas não exporta os dados, o que o inviabiliza para uma revisão de verdade.
O ferdy não tem assinatura: um crédito é uma página processada com sucesso, e falha não é cobrada. Na prática, uma revisão de 85 artigos — cerca de 1.500 páginas — fica em torno de R$ 160, uma vez, pagos em reais por Pix. Quem faz uma revisão por ano não sustenta mensalidade nos onze meses em que a ferramenta fica parada; quem usa todo mês provavelmente se dá melhor com assinatura, e não há problema em dizer isso.
Quando o ferdy não é a escolha
- Se você quer escrever com apoio de IA — parafrasear, redigir seções, gerar texto. Não fazemos nada disso; o SciSpace faz.
- Se o seu material é um artigo por vez, e o que falta é compreensão, não tabulação.
- Se os seus PDFs são escaneados: sem camada de texto, o ferdy recusa o arquivo como ilegível (sem cobrar) e pede OCR antes.
Uma diferença de fronteira que vale conhecer
Ferramentas que combinam busca, leitura, extração e escrita acabam opinando sobre o caminho da revisão — sugerem critérios, resumem por você, propõem estrutura. É conveniente. O ferdy trabalha ao contrário: aplica a regra que você escreveu e não sugere método, critério de inclusão nem julgamento sobre os estudos. Para quem vai defender o trabalho em banca, poder dizer que a ferramenta não influenciou a decisão é um argumento a favor.
Este texto faz parte do comparativo das ferramentas de revisão sistemática em 2026, que organiza todas elas por etapa da pesquisa.