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ferdy × Covidence: o que muda quando a extração é automática

O Covidence é, para muita gente da saúde, sinônimo de revisão sistemática: importação de registros, triagem em duas camadas, resolução de conflito, extração em formulário e fluxograma PRISMA saindo pronto no fim. É um produto maduro, desenhado em cima do manual Cochrane. A comparação com o ferdy é interessante justamente porque os dois resolvem o mesmo problema por caminhos opostos.

A diferença central: quem preenche a tabela

No Covidence, a extração é um formulário estruturado que duas pessoas preenchem, lado a lado, com a plataforma comparando as respostas e apontando onde discordaram. O trabalho de ler o PDF e digitar continua humano — o software organiza, controla e audita esse trabalho.

No ferdy, a extração é um primeiro passe automático: você define as colunas com as instruções, a ferramenta lê os PDFs e devolve a tabela preenchida, e as pessoas conferem em vez de digitar. O trabalho muda de natureza — de transcrição para verificação.

Daí decorre quase todo o resto.

Onde o Covidence é melhor

  • Processo completo em um lugar só: triagem por título/resumo, texto completo com motivo de exclusão, extração, risco de viés e o fluxograma PRISMA com os números já contados.
  • Dupla checagem formal, com trilha de quem decidiu o quê — exatamente o que um protocolo Cochrane exige.
  • Risco de viés integrado (RoB 2 e afins) dentro do mesmo fluxo.
  • Suporte e treinamento voltados a equipes de saúde, com material farto.
  • Assinatura institucional: se a sua universidade já paga, o custo marginal para você é zero — e isso ganha de qualquer argumento.

Para quem paga do próprio bolso, o preço de lista em setembro de 2026 era de cerca de US$ 339 por ano para uma revisão (cerca de US$ 907 para três), sem plano mensal. Confira na página oficial antes de decidir.

Onde o ferdy é melhor

  • Tempo de extração. A mediana de processamento por artigo aqui é de 17 segundos; um lote de 42 artigos (999 páginas) terminou em 22 minutos. Em formulário manual, os mesmos 42 artigos são dois a três dias de trabalho de duas pessoas.
  • Custo por trabalho feito. Não há assinatura: um crédito é uma página processada com sucesso, e falha não é cobrada. Uma revisão de 85 artigos fica em torno de R$ 160 no pacote maior.
  • Buscar o PDF por você a partir de DOI, PMID ou arXiv — até 50 identificadores por vez.
  • Português em tudo, pagamento em reais, Pix. Para o pós-graduando brasileiro, isso não é detalhe: é a diferença entre pedir reembolso em dólar ao programa e simplesmente comprar.
  • Equipe com cota: o coordenador compra uma vez e distribui créditos entre orientandos, acompanhando o consumo.

O que o ferdy não tem (e você precisa saber)

  • Não faz triagem por título e resumo com dois revisores cegos — use Rayyan ou o próprio Covidence para essa etapa.
  • Não conta o fluxograma PRISMA para você. Os números da identificação e da triagem vêm de onde você triou.
  • Não tem módulo de risco de viés. Essa avaliação é julgamento seu, com instrumento próprio.
  • Não substitui a dupla checagem: entrega o rascunho consistente, e o protocolo continua exigindo que duas pessoas confiram — e que isso apareça no método.
  • Não sugere critério de inclusão nem decisão metodológica. O Covidence também não decide por você — ele organiza e audita a decisão de duas pessoas. Em desenhos diferentes, as duas ferramentas respeitam a mesma fronteira: o método é do pesquisador.

Como escolher

  • Sua universidade assina o Covidence e a sua revisão é Cochrane-like? Use o Covidence, sem dúvida. Talvez valha o ferdy só para adiantar a extração de um lote grande.
  • Você paga do próprio bolso e faz uma ou duas revisões por ano? A assinatura anual custa caro por revisão; o modelo de crédito tende a sair muito mais barato.
  • Equipe grande, processo auditável, vários revisores simultâneos? Covidence.
  • O gargalo é só a planilha de extração? ferdy.

Não há vergonha em usar os dois: triagem onde a triagem é boa, extração onde a extração é rápida.

Este texto faz parte do comparativo das ferramentas de revisão sistemática em 2026, que organiza todas elas por etapa da pesquisa.